domingo, 15 de dezembro de 2013

Crônica - Uma nova rotina

(Imagem do Tumblr)

Parecia um dia normal. A mesma hora, o mesmo ônibus e até o mesmo lugar. Aquele, que fica na janela e longe do sol. O mesmo trajeto e as mesmas pessoas. Era rotina. Uma pessoa entrou no ônibus. Espantem-se: era um rosto diferente. Uma mulher, de estatura baixa, olhos castanhos e cabelos pretos.

Trazia consigo uma bolsa enorme que dificultava o seu andar pelo ônibus. Pensei em ajudar, mas rapidamente mudei de ideia, pois já estava muito bem acomodada no meu lugarzinho de sempre. Ao passar pela roleta, cumprimentou o motorista, sim, algumas (poucas) pessoas fazem isso!

- “Bom dia, bom dia a todos.” – Disse ela. Logo pensei: “Por isso a sacola imensa e tamanha simpatia logo cedo! Vai tirar da bolsa muambas para vender...” Porém, meu pré-julgamento logo terminou. A moça de olhar expressivo sentou-se ao meu lado e continuamos a viajem. Não fui a única a ficar espantada com a atitude dessa tal mulher. Percebi que todos se olharam, mas ninguém respondeu. Nem eu, tamanho foi a minha surpresa. Passaram-se alguns minutos e essa criatura de outro mundo, me perguntou se estava bem.
-“Não conheço essa mulher. Por que ela está falando comigo?” – Comecei um diálogo interno.

O ônibus já estava lotado e uma senhora, já muito idosa, de pele bastante enrugada, pegou a condução. Argumentava que deveria pegá-lo de qualquer forma, pois já tinham passado três ônibus e nenhum tinha parado no ponto. Neste exato momento todos os passageiros dormiram – incrível como as pessoas dormem rápido! - mas, nossa misteriosa mulher que provavelmente veio de Nárnia, levantou e deu lugar à senhora. Logo pensei:
- “Não é possível, essa mulher tem que ter algum defeito... Chulé ou uma unha encravada com certeza. ”

Até que, mesmo em pé, ela tira da bolsa um fone de ouvido e começa a ouvir sua música sem incomodar os outros. O espanto tomou conta de mim, virei para a janela e durante todo o resto da viagem me questionei sobre tal situação. De onde viria tal mulher? Será que ela se alimenta, bebe água e vai ao banheiro? Vários foram os meus questionamentos, mas só uma conclusão: ela era muito mais humana que eu.

Aquele meu dia que parecia tão normal, ganhou outra cor. Diante desse feliz acaso, senti vontade de mudar minhas atitudes. Modificar minha postura diante da vida e diante do próximo. Quebrei a rotina e percebi que é bem legal, melhor ainda, é criar uma nova!

Por: Carol Cunha