quinta-feira, 21 de abril de 2016

Escolher a melhor parte

(Arquivo Pessoal)

A oração é uma escolha feita pelos corações apaixonados. Escolhem ficar com o Senhor, contemplando-o. Escolhem a melhor parte. A oração, também é dom de Deus, que deve ser pedido. É dom inesgotável, que nunca se sacia; porque Deus nunca se finda. É experiência de encontro do finito com o infinito. Do imperfeito com a perfeição. Do pecador, com o que é Santo. Do choque de realidade daquilo que sou, com Aquele que é e sempre será.

A oração é encantamento. É um constante enamorar-se. Deixar-se apaixonar, diário e crescente. É ainda um deixar-se surpreender com as delícias e carícias do Senhor; que não cansa e nem se cansa de amar. É o próprio amor. É o próprio amar. A oração é ainda decisão. Um permanente buscar, olhar, amar, Aquele que já muito antes nos busca, nos olha e nos ama.

Por: Carol Cunha

domingo, 24 de agosto de 2014

Quem sou eu?

(Imagem do Google)

"De onde vim?" "Por que nasci?" "Para onde vou?" "Quem sou eu?" Esses eram apenas alguns dos dilemas que a rodeava. Naquela noite de sábado, sua cabeça fervilhava feito panela de pressão. Cansada ao extremo, mas por mais que seu corpo implorasse, sua mente não parava de trabalhar. Vontade de chorar, de rir, de agradecer e ao mesmo tempo sair correndo porque, o que está diante dos seus olhos é demais para ela.

Um misto de sentimentos a invadiu como um furacão. Sente que tudo está se perdendo, como areia nas mãos, que não se pode segurar. Sente-se tão pequena e inconstante para tomar grandes e eternas decisões. Em contrapartida sente-se como a pessoa mais feliz e mais amada do mundo inteiro!

Nesse processo todo de autoconhecimento, de descoberta da identidade mais profunda que carrega, daquilo que é o cerne de sua alma; as emoções são diversas e completamente impossíveis de descrever em palavras. É preciso ser sentido. É necessário ser vivido para entender.

Esse texto não terá conclusão, pois os questionamentos nunca serão por completos respondidos, porque o que ela procura não tem fim. É uma imensidão de bondade, de amor que a ultrapassa e a constrange todos os dias. Tem um profundo desejo em ser melhor, de ser aquilo o que Deus sonhou que ela fosse por toda vida. É essa busca que a mantém viva.

Por: Carol Cunha

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Você é realmente livre?

(Imagem do Google)

No dicionário, dentre inúmeros significados, a palavra “liberdade” exprimi o sentido de a pessoa exercer livremente a sua vontade e ainda, de não ser sujeita ao controle dos outros. Até aqui não relatei nenhuma novidade. Então, a liberdade é isso: Fazermos o que temos vontade. Somos livres, afinal!

Quando nos sentimos atraídos em ficar com várias pessoas em uma festa; quando passamos do limite e bebemos mais do que nosso corpo pode suportar, quando corremos como loucos no trânsito, mesmo sabendo que é proibido... Fazemos essas coisas porque somos livres e “ninguém tem nada com a nossa vida”.

Vamos adentrar mais fundo nesse assunto. Falaremos agora, de liberdade interior. A verdadeira independência está em dizer “não” para nós mesmos. É aí que nos tornamos verdadeiramente livres. Quando falamos “não” aos nossos desejos carnais, e deixamos de usar o corpo do outro e o nosso próprio, para ter prazer momentâneo; tornamos-nos livres para amar o próximo na sua essência.

Quando renunciamos a vontade de ficar alcoolizados porque é “legal e todo mundo faz”, adquiridos o autocontrole do nosso ser e assim, nos tornamos seres humanos cada vez mais libertos dos paradigmas desse mundo louco. Ser livre também consiste em dizer não! A liberdade também é feita de podas e nos torna pessoas melhores.

“Assim é a liberdade que Deus dá.” Deus nos ama tanto, que nos deixa livres para fazer nossas próprias escolhas. Coloca diante de nós, o bem e o mal, a vida e a morte, nos permite escolher. Sejamos livres para escolhermos a vida!

Por: Carol Cunha

terça-feira, 25 de março de 2014

Crônica - Uma jovem ranzinza


(Imagem do Google)

Ela já estava acostumada com a vida. Assim, do jeito que sempre foi. Sem muitas surpresas, sem muitas mudanças. A monotonia era quase sua irmã, caminhavam juntas. Apesar da constância, Marcela era uma jovem mulher. Mais jovem do que mulher, porém mais mulher do que jovem, quando se tratava do seu temperamento.

Seu dia-a-dia era um profundo ritual. Acordava às 6:20h, nunca às 6:30h. Seu café da manhã era uma barra de cereal. Corria para pegar o ônibus – que sempre reclamava nunca parar no ponto. Marcela era gerente de uma loja de roupas, sempre séria, sempre na sua. Todo dia a mesma coisa, a mesma coisa todo dia. E assim ela ia vivendo. Sem nenhuma esperança e com muitas certezas.

Numa bela noite, depois de mais um dia de trabalho, Marcela voltava para casa naquele mesmo ônibus capenga e com o mesmo motorista que lhe dava boa noite todos os dias, sem obter resposta. “Que Inconveniente” – Pensava ela. Como sempre descia no ponto final, já estava acostumada a ficar sozinha com o motorista tão simpático – pena que ela era rabugenta demais para perceber isso.

Já faziam 2h que estava dentro do ônibus e o catastrófico trânsito de todos os dias não ajudava em nada. Marcela estava sentada no banco na frente da roleta, perto do motorista – era o espaço que menos se parecia com uma lata de sardinha. Nossa jovem ranzinza mal se preocupava em reparar naquele que conduzia o ônibus. Era tão jovem quanto Marcela e tão bonito quanto ela. Mas era “quadrada” demais para enxergar além daquilo que queria ver.

Na tentativa de mais uma vez travar qualquer tipo de diálogo com a moça, o motorista fala:
- “Você não lembra mesmo de mim não é Marcela?”

Assustada, balança a cabeça fazendo sinal de negação.
- “Sou o Pedro, da época da escola. Seu primeiro namorado...”

Marcela arregalou os olhos, mas não disse nada, de tanto espanto que sentia. Já chegava ao seu destino final, só os dois, como sempre no ônibus. Porém, tinha algo diferente. Marcela desceu e Pedro veio logo atrás. Os olhares se cruzaram, suas mãos estavam mais geladas do que um frigobar. Depois de alguns momentos em silêncio enfim, a mocinha arriscou algumas palavras. Perguntou-lhe o porquê de sempre falar com ela, mesmo sabendo que nunca teria uma resposta se quer. Prontamente o jovem motorista respondeu:

- “No tempo do colégio uma professora nos ensinou que nossas atitudes não devem depender do comportamento do próximo. Minha maneira de trabalhar é sendo educado com os meus passageiros, independente de quem for. ”

Depois dessa doce e constrangedora resposta, Pedro – o inconveniente o motorista – aproxima-se de Marcela e a abraça. Agora não são apenas suas mãos que congelam, mas sim todo seu corpo. Quebrando todos os protocolos, todos os rituais e toda monotonia na qual levava sua vida, ela retribui o abraço. Com as bochechas coradas e um sorriso de lado, percebe-se que existe algum sinal de vida dentro daquele corpo que antes, gelava.

Por: Carol Cunha

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Fakes: Você curte?

Quando as coisas começam a ficar muito complicadas e se torna difícil o relacionamento e a socialização da pessoa viciada em jogos, é fundamental o apoio psicológico de um profissional da área. É o especialista quem percebe e consegue dar o melhor diagnóstico para o tratamento.

Com o intuito de analisarmos a mente humana, entrevistamos uma profissional de psicologia. Renata Ruelles, de 26 anos, se formou na Universidade Estácio de Sá, em 2010, atua na área desde então.

(Imagem do Google)

1) As pessoas conseguem sempre diferenciar os jogos online da vida social, real?
Quando adulto, sim. A não ser que a pessoa apresente algum outro tipo de patologia.
Para o diagnóstico formal do Transtorno de Jogos Compulsivos, não há menção de perda da realidade, apenas a obsessão por repetir o comportamento de jogar devido a liberação de dopamina no circuito de recompensa da pessoa. Entretanto, quando criança ou até mesmo adolescente, pode haver uma distorção da realidade, visto que o cérebro ainda não está totalmente formado, impossibilitando-os de ter o discernimento para diferenciar o virtual do real. 

2) O que o vício dos jogos online pode causar?
Assim como todo vício, a pessoa se torna dependente de tal atividade para obter uma recompensa que muita das vezes é imediata e a expectativa de ganhar reforça o comportamento. O vício é uma patologia, e neste caso, ela pode deixar de ter uma vida social ativa, se comprometendo mais com o jogo do que com suas responsabilidades rotineiras. Dependendo do caso, o jogador pode deixar praticar suas necessidades básicas, como alimentação e higiene. Um dos principais problemas que o vício pode causar é a dependência psicológica e o comportamento antissocial.

3) Como os pais podem perceber que o filho é dependente dos jogos?
Quando o jogo começa a tomar mais tempo na vida do seu filho que as demais atividades necessárias, se ele deixa de praticar atividades que anteriormente fazia parte da sua rotina e passa a ficar a maior parte do tempo na frente do computador, se ele prefere jogar a estar em convivência com outras pessoas, se tem alteração do humor quando não está jogando, já é algo para estar em alerta e tomar algumas providências. Em casos mais urgentes, o jogador deixa de praticar atividades vitais, como dormir e se alimentar.

4) Que tipo de outros vícios a pessoa pode ter na internet, além dos jogos?
A própria internet pode ser um vício, e junto com ela, os chats, sites de relacionamento e pornografia. Esses são os mais comuns.

5) Por que os jogos são tão viciantes? 
Porque trazem um tipo de recompensa que muita das vezes a pessoa não recebe no dia a dia, principalmente quando possui baixa autoestima ou é tímida, ou sofre bullying. O jogo virtual e seu avatar permitem que a pessoa seja o que gostaria de ser na realidade e que por algum motivo não consegue ser. O jogo lhe dá a sensação de poder e domínio e respeito.

Por: Carol Cunha

domingo, 15 de dezembro de 2013

Crônica - Uma nova rotina

(Imagem do Tumblr)

Parecia um dia normal. A mesma hora, o mesmo ônibus e até o mesmo lugar. Aquele, que fica na janela e longe do sol. O mesmo trajeto e as mesmas pessoas. Era rotina. Uma pessoa entrou no ônibus. Espantem-se: era um rosto diferente. Uma mulher, de estatura baixa, olhos castanhos e cabelos pretos.

Trazia consigo uma bolsa enorme que dificultava o seu andar pelo ônibus. Pensei em ajudar, mas rapidamente mudei de ideia, pois já estava muito bem acomodada no meu lugarzinho de sempre. Ao passar pela roleta, cumprimentou o motorista, sim, algumas (poucas) pessoas fazem isso!

- “Bom dia, bom dia a todos.” – Disse ela. Logo pensei: “Por isso a sacola imensa e tamanha simpatia logo cedo! Vai tirar da bolsa muambas para vender...” Porém, meu pré-julgamento logo terminou. A moça de olhar expressivo sentou-se ao meu lado e continuamos a viajem. Não fui a única a ficar espantada com a atitude dessa tal mulher. Percebi que todos se olharam, mas ninguém respondeu. Nem eu, tamanho foi a minha surpresa. Passaram-se alguns minutos e essa criatura de outro mundo, me perguntou se estava bem.
-“Não conheço essa mulher. Por que ela está falando comigo?” – Comecei um diálogo interno.

O ônibus já estava lotado e uma senhora, já muito idosa, de pele bastante enrugada, pegou a condução. Argumentava que deveria pegá-lo de qualquer forma, pois já tinham passado três ônibus e nenhum tinha parado no ponto. Neste exato momento todos os passageiros dormiram – incrível como as pessoas dormem rápido! - mas, nossa misteriosa mulher que provavelmente veio de Nárnia, levantou e deu lugar à senhora. Logo pensei:
- “Não é possível, essa mulher tem que ter algum defeito... Chulé ou uma unha encravada com certeza. ”

Até que, mesmo em pé, ela tira da bolsa um fone de ouvido e começa a ouvir sua música sem incomodar os outros. O espanto tomou conta de mim, virei para a janela e durante todo o resto da viagem me questionei sobre tal situação. De onde viria tal mulher? Será que ela se alimenta, bebe água e vai ao banheiro? Vários foram os meus questionamentos, mas só uma conclusão: ela era muito mais humana que eu.

Aquele meu dia que parecia tão normal, ganhou outra cor. Diante desse feliz acaso, senti vontade de mudar minhas atitudes. Modificar minha postura diante da vida e diante do próximo. Quebrei a rotina e percebi que é bem legal, melhor ainda, é criar uma nova!

Por: Carol Cunha

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

DJ’s da condução: o terror dos passageiros

Agora é lei, escutar músicas em aparelhos eletrônicos nos transportes públicos, só com o fone de ouvido.

Engarrafamento, calor, transporte lotado, cansaço... Quando tudo parecia não poder piorar, o colega começa a ouvir "ah, lelek, lek, lek...". O som é tão alto, que a sua distração passa a ser descobrir quem é o DJ da vez. Consequentemente, todos os passageiros são obrigados a acatar a música. Para não dizer, ruídos sonoros, pois se misturam com as freadas do ônibus, buzinas e discussões no trânsito. Você tem que se submeter  ao estilo musical do outro, porque simplesmente, o cidadão não usa os fones de ouvido.

No estado do Rio de Janeiro, assim como em outras sete capitais brasileiras, fica proibido o uso de aparelhos sonoros em transportes públicos. A lei não admite a utilização dessas mídias em trens, ônibus ou balsas. Aqueles passageiros que desobedecerem à nova ordem, pagarão uma multa de R$ 1 mil. Essa instrução vale também para as empresas que consentirem o descumprimento da lei.

Amanda Ribeiro já discutiu no ônibus por causa disso: "O sujeito estava ouvindo funk proibido, ao lado de uma mulher com crianças. A cada pornografia, uma pergunta cabeluda que a mãe não sabia responder e ficava constrangida. Eu comecei a reclamar e aí, como em todo transporte, a falação foi geral. No final, a gente colocou ele para fora do ônibus", conta.


(Imagem do Google)

Outro fato que Amanda nos conta são os conflitos musicais de um mesmo ambiente. "De fato, música coletiva não é o meu forte. Até porque, às vezes a gente tem a guerra do celular mais potente. Um coloca o funk, o outro, com raiva, coloca música evangélica e quando você vê, virou feira musical ambulante", complementa a entrevistada.

O último ponto que podemos inserir nesta reflexão são as pessoas que gritam ao falar no celular. É impressionante como em poucos minutos conseguimos saber tudo da vida daquele indivíduo que fala, ou melhor, berra ao celular. “Às vezes a pessoa fala tão alto em uma ligação, que a gente desce do ônibus com a sensação de ter acabado de ler uma biografia”, comenta Amanda.

Alguns Estados já estão proibidos o uso de tais aparelhos. Entretanto, a discussão não para por aí. Além das leis e das multas, devemos, antes de tudo, ter bom senso e pensar no próximo antes de agir. Talvez o que nos falte é aprender a viver em sociedade. Sejam gritos, músicas ou ruídos sonoros, independente de todos esses fatos, pensemos agora se estamos violando o respeito à individualidade de cada um.


Matéria escrita para a Folha Universitária Online - UCB.

Por: Carol Cunha